Do Filme "Um Sonho Possível": “Não preciso que aprovem minhas escolhas, só quero que as respeitem.”

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Abastança versus necessidade

É inegável que desde os primórdios exista a escravidão e que até certo ponto da história, pensadores eram a favor, por exemplo: O filósofo Aristóteles que considerava a escravidão uma das divisões naturais da sociedade e era vantajosa tanto para o senhor quanto para o escravo. Porém, no mundo moderno, foi a filosofia iluminista que condenou a escravidão em todas as suas formas e graus como absurda e repugnante.
Apesar de muitos acreditarem que a escravidão foi abolida em todo o mundo, isso não é verdade, pelo contrário, milhões de pessoas sofrem com a chamada Escravidão Moderna em suas diversas formas. O trabalho escravo não existe somente no meio rural, ocorre também nas áreas urbanas. Os principais casos de escravidão urbana no Brasil ocorrem na região metropolitana de São Paulo, onde os imigrantes ilegais são predominantemente latino-americanos, sobretudo os bolivianos e mais recentemente os asiáticos, que trabalham dezenas de horas diárias, sem folga e com baixíssimos salários, geralmente em oficinas de costura.
Deparar-se com a pergunta: “Escravizar é humano?” é algo complexo e envolve com certeza a Declaração Universal dos Direitos do Homem, na qual diz que todas as pessoas têm direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal e que ninguém pode ser mantido em escravidão. No entanto, isso não funciona. Escravizar não pode ser humano, mas tem sido, já que os números da escravidão aumentam em todo o mundo e cada vez mais o homem farto e rico usufrui de seu semelhante que tem necessidade de ter o básico para sobreviver.
Levando-se em consideração esses aspectos, todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos; dotados de razão e de consciência, portanto, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade e não da forma que está acontecendo em que a abastança de uns usa a necessidade dos outros. Já dizia Mahatma Gandhi: “Não é possível libertar um povo, sem antes livrar-se da escravidão de si mesmo. Sem esta ação, qualquer outra será insignificante, efêmera e ilusória, quando não um retrocesso”.
                                              

                                                                  Fabiano Martins

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A infância e a adolescência de Dom Bosco


Joãozinho Bosco nasceu em um pequeno vilarejo na Itália, os Becchi, formado por cerca de dez casas localizadas no topo de uma colina. Situava-se no território de Murialdo, a cinco quilômetros de Castelnuovo d'Asti, hoje chamadoCastelnuovo Don Bosco. No mapa abaixo, podemos ver a localização atual de Castelnuovo Don Bosco. À esquerda do mapa, vemos com destaque a cidade de Turim, lugar onde Dom Bosco, anos mais tarde, daria início à obra salesiana.

Na pequena casa dos Becchi, moravam com João Bosco a sua mãe, Margarida Occhiena; sua avó Margarida Zucca; seu irmão do meio, José; e seu meio-irmão Antonio, filho do primeiro casamento de seu pai. Francisco, o pai de Joãozinho Bosco, faleceu quando ele tinha apenas dois anos de idade.
Joãozinho Bosco foi criado em um estilo humilde e austero de vida. Não foram
poucos os momentos de penúria. Dom Bosco cita em suas memórias um destes momentos difíceis de sua família quando, logo depois da morte de seu pai, a sua região foi tomada por uma terrível seca, que faz falhar toda a colheita daquele ano. Nestes momentos de crise, as atitudes corajosas e heróicas de Mamãe Margarida para sustentar a sua família, e sobretudo a sua confiança na providência divina, trouxeram muitos ensinamentos valiosos para João Bosco.
A sua educação religiosa, aliás, deve-se muito à sua mãe. Com o seu testemunho de vida, com o seu modo de relacionar com Deus, com as suas histórias tiradas do 
cotidiano, Mamãe Margarida aumentava em Joãozinho Bosco o seu amor a Deus e a sua vontade de fazer com que os seus amigos também sentissem esse mesmo amor.
Um fato, que segundo o próprio Dom Bosco, "ficou profundamente impresso na mente por toda a vida", foi o sonho que teve aos nove anos (confira o vídeo abaixo). Um sonho profético, que repetiu-se outras vezes no decorrer da sua vida, e que anunciava a grande missão que Deus confiava a João Bosco. O sonho foi narrado detalhadamente por Dom Bosco em suas memórias. 


E João Bosco não esperou para começar a sua missão, embora ainda não entendesse o que seu sonho significasse de fato. Já aos 10 anos mostrava a sua preocupação com os seus colegas. "Olhando para o rosto de um deles, quase sempre descobria os 
propósitos que iam no coração", escreveu Dom Bosco. E por isso mesmo, era muito estimado pelos seus companheiros. Contava histórias, tirados de livros populares de sua época, para os seus amigos mais próximos e também para adultos que se interessavam. Para tornar os encontros ainda mais animados edivertidos, Dom Bosco aprendeu a andar sobre a corda, a fazer malabarismos e mágicas. Mas o mais importante: sempre terminava estes momentos com a explicação do evangelho escutado na missa de manhã ou com uma breve oração.
Simultaneamente, em casa, a pressão de seu meio-irmão Antonio aumenta a cada dia. Ele não aceita a idéia de ver João lendo livros e contando histórias ao invés de estar trabalhando na roça. O conflito fica insustentável. E Mamãe Margarida assim, toma a difícil decisão de enviar Joãozinho para trabalhar no sítio da família Moglia. Lá ele foi muito bem acolhido e cuidava do estábulo, além de outros pequenos serviços do sítio. 
Nesta mesma época, João Bosco conhece aquele que seria o seu primeiro guia espiritual: o Pe. João Calosso. Este, impressionado com a memória e a piedade de 
Joãozinho, oferece-se para lhe dar algumas aulas e assim prepará-lo para no futuro ser padre. No Pe. Calosso, Joãozinho encontra um verdadeiro amigo da alma, o qual ele nunca tinha tido.
Infelizmente, o Pe. Calosso faleceu pouco tempo depois. João Bosco sente-se novamente entristecido e perdido em relação ao seu futuro.
Para acabar de vez com o conflito com Antonio, Margarida decide dividir a herança da família. Foi uma decisão dolorosa, mas necessária. João, por sua vez, passa a estudar em Castelnuovo. Ele retoma, feliz, as suas esperanças. Nem os cinco quilometros que precisa caminhar para ir e voltar para a escola, parecem desfazer o seu contentamento.

Fonte: glaucosdb.blogspot.com
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